23.10.18

alameda água fria

de mãos estendidas
(como quem espera muito)
oferece um afago de despedida.

de encontro ao meu peito palpitante
derrama arrependimentos e incertezas
(como quem hesita em viver).

mergulho em mim
(como quem suspira de cansaço)
buscando rotas antigas
de caminhos já fechados.

18.10.18

de convicções

meus dedos respingando sangue
(ao mesmo tempo)
as palavras jorram em um ritmo sem sentido ou ordenação.
um olhar ao horizonte escurecido,
me faz adivinhar todos os desejos perdidos;
todos os sorrisos desfeitos;
cada jura de amor não dita na hora certa.
logo a frente é possível
[ver as novas flores colhidas ao entardecer.

17.10.18

de diligências



pequenas gotas de chuva caem sem a menor preocupação
[em amenizar tristezas alheias.
lábios mudos demais por conta de
uma solidão compartilhada.
umas nuvens muito altas
- elevadas por força de mágoa.
uns dias a mais em sonhos equivocados
e é impossível ignorar as lágrimas.
as palavras saem soberbas
e se perdem em teus ouvidos insolentes.

4.10.18

De folhas de outono

Uma mão no cabelo
(displicentemente)
Num carinho vagaroso -
Em quase sono acalentado.
Olhos fechando em delírio consumado.
                                [porta entreaberta]
O frio perpassa o quarto sem ninguém perceber.
        [Sussurros breves - Palavras torpes]

sentido efêmero

uma gaveta empoeirada cheia de memórias, a ventania varre as folhas secas [facilmente se esfarelam com a chuva cartas antigas sem nenhum sig...