Tuas mãos escrevem
[rotas perigosas demais
[Pelo meu corpo cansado.
Esses olhos escondem
Uma pureza divertida.
Vejo-te contando vantagens
Sobre outros sorrisos,
Sem o menor arrependimento.
Que outros não ouçam,
Sem alarde,
Já não me detenho
Ou domino.
Entrelaço minhas pernas
[No teu ego
E sorrio de leve
Do teu desprezo.
13.9.19
Floreios
31.8.19
Desengano
Te vejo desviando o olhar
[é medo ou desamor?
Saindo do meu abraço,
Correndo em direção ao
(teu limite)
Nosso ponto comum.
Te descubro em sonhos
(nos meus últimos dias)
Me fazendo um carinho.
Minhas vastas palavras
Não passam de vãs tentativas
De te manter perto.
Vou embora com o tempo,
Enquanto procura o teu espaço.
2.8.19
Sobre formas e sonhos
Pela janela aberta
Sinto o sereno
[leve e insistente.
Afasto as cortinas
Pra ver a paisagem.
Você tenta me puxar de volta
(pra debaixo dos lençóis)
E me desvencilho com uma risada.
Quero sentir o fim de tarde
Molhando meu rosto
E exalando o cheiro
[de um novo recomeço.
21.7.19
Ao acordar
Deixando uma trilha de fogo
E a vontade de arder por inteiro.
Mãos que se perdem pelos cabelos
Na tentativa de um afago.
Gemidos sussurrados ao ouvido
Incendeiam a pele
E aceleram os movimentos.
Há pouca luz pela casa,
Em todos os cômodos
Há a bagunça do desejo
E vestígios de uma fantasia.
Sem ritmo definido
Ou pressa pra ir embora.
Os pensamentos se confundem
Tanto quanto os corpos no sofá
Ou os lençóis na cama desarrumada de ontem.
As chuvas caem breves,
Os olhares se prolongam.
Não há cansaço,
Apesar das mãos que agarram
O corpo molhado de suor.
Não há verdades
Pela noite que chega
E logo se vai mais uma vez.
8.7.19
solstício
4.6.19
De fragilidades
Oscilante entre lá e aqui
Entre uns olhos mentirosos
[e um coração em silêncio
Entre mãos ávidas de toques
[e bocas inertes que se evitam
Uma sensação de chuva leve
[e de desertos impenetráveis
Uma vontade de queda
[e a de total imobilidade
Entre sorrir e chorar.
1.6.19
Todos os dias
Em pleno meio-dia,
Um quarto
(disfarçado de sauna)
Nos abriga mal e mal.
Gritos abafados de leve,
Escancarados pela
[nudez latente.
As mãos não se encontram,
Em loucura rebeladas.
Os olhos em brasa de vulcão
Não escondem o tormento
(nem o anseio)
De iniciar incêndios
- um atrás do outro -
Sempre sem cessar.
18.4.19
De lonjuras
Vislumbrou pontos de fuga,
Sem saber como agir.
Um canto escuro demais seria um bom começo.
O que é um jogo de azar?
Agora é a hora de fazer uma nova tentativa.
O que acontece nos últimos dias aqui?
O hoje é a segunda vez mais importante.
Em um amanhã incerto talvez
Seja possível escapar.
19.3.19
de dias escuros
sempre que se avizinham.
deixo um olhar disperso
- um quase sorriso feliz.
sonhos de cor cinza
ocupam a memória.
de vez em quando me
despeço
e procuro cores menos completas,
enquanto a tempestade
não vem.
12.3.19
Sem pontes
Há dias ensolarados
- sem nuvens,
Em que me lembro dos teus
[Olhos doces e cautelosos
Sondando meu silêncio
Como quem espera
Me ver transbordar.
Como quem deseja
Chegar do outro lado do rio.
Teus olhos castanhos
Não compreendem
Que a minha existência
É uma inconstância irremediável.
3.3.19
repouso
[mais fortes.
se assustou com o balanço
irregular da vida.
pulou memórias e feridas
- tão antigas e dolentes.
(sem nenhum sucesso)
tentou se ritmar mais de uma vez
sem perceber os desvarios.
fingindo sentimentos amargos,
caiu em abismos sem volta.
22.2.19
de vendavais
na rua de sempre;
só vejo rostos sem expressão
(os olhos destoam do sorriso).
percebo os gostos amargos.
perdi antigos afetos em plena calçada.
um horizonte deformado
[por memórias bem curtas.
com poucos passos
fico longe dos teus olhos.
9.2.19
de noites simples
passeando
(vagarosamente)
pelos meus cabelos soltos.
seus olhos perdidos
não enxergam
[meu reflexo embaçado
[no espelho do banheiro.
as palavras soltas -
perdidas em gotas de chuva,
disfarçam uma vontade tardia
[de abraços prolongados.
9.1.19
de vidas avulsas
de rotinas se vive,
de rotinas se morre.
entre postes acesos
e uniformes sem cores
[pessoas passando -
pessoas paradas]
olhos vazios
em desespero
[de ruas sempre apagadas.
sentido efêmero
uma gaveta empoeirada cheia de memórias, a ventania varre as folhas secas [facilmente se esfarelam com a chuva cartas antigas sem nenhum sig...
-
Em sonhos antigos Procurei as cores mais fortes. Um pouco de vermelho [por causa das rosas; Um intenso amarelo [pela beleza do amanhec...
-
nossos olhos passeiam pelo mesmo ponto [na linha do horizonte. sinto seus dedos segurando minha mão [exalando calor e afago. meu coração ba...
-
Precisei liberar os fantasmas, Sempre adormecidos dentro de mim. [Malvados de qualquer forma, Eles me encaram: Fazendo perguntas? Dand...