6.12.20

monólogo previsto

as paredes não são altas o suficiente
[para conter o vazio.
pensamentos soltos fogem pelas janelas
- encontram flores pálidas, insanas.
dedos longos procuram qualquer distração,
sem ânimo ou intensidade.
uma brisa suave desvia o curso do tempo;
 tudo para sem aviso.

8.10.20

sobre fechar os olhos

relendo nossas antigas conversas,

um sorriso entristecido 

         [de uma alma cansada]

descreve sentimentos em conflito.

as entrelinhas perdidas pelas ruas vazias,

em vasta confusão de olhares.

o silêncio do outro lado ensurdece,

desnorteia ventanias,

desarmoniza universos. 

24.9.20

Dileto

Era noite já alta quando perguntei por onde andava. 
Você disse que precisou sair dos meus sonhos 
[pra viver um pouco.
Por algumas eternidades, desviar do meu olhar, 
Castanho e profundo. 
Sem retorno preciso 
Ou pretexto convincente,
Busca a ausência do tempo. 

5.6.20

De flores ausentes

Depois da ventania, o galho se partiu.
As folhas se achavam já longe
[Em outra realidade]
As cores combinavam entre si,
Tons cinzentos e sem vida.
A naturalidade da vida segue
[Caminhos acidentados]
Implacável e pontual.
Não há pássaros hoje
Quando a chuva se avizinha 
(Cautelosa).

20.2.20

Ao cair das horas

O canto de pássaros noturnos me sobressalta. 
Em meio aos devaneios lascivos, esqueço o tempo que vai acabando.
Com pressa demais, perco as folhas em branco
[que seriam cartas de longa jornada.
Tudo rodopia em conflito,
Asas batem em retirada.
Procuro versos de uma década inexpressiva, 
Na esperança de firmar os pensamentos. 

sentido efêmero

uma gaveta empoeirada cheia de memórias, a ventania varre as folhas secas [facilmente se esfarelam com a chuva cartas antigas sem nenhum sig...